Hoje vamos tentar perceber como funcionam os Pickups de Gauitarra. Fisicamnte falando, estes pequenos artefactos funcionam sob o mesmo princípio dos geradores eléctricos: “Quando existe um movimento relativo entre um campo magnético e um condutor eléctrico, um sinal é gerado no condutor.”
Os geradores eléctricos trabalham porque umas (ou várias) bobinas de cobre são rapidamente rodadas sobre um campo magnético (ou vice-versa). Contudo, os nossos Pickups são estáticos. Então como funcionam? Como conseguem gerar corrente?
Basicamente porque quando um material ferroso (como o aço das nossas cordas) é colocado na rota de um campo magnético, este distorcerá as linhas do mesmo campo. Por isso, quando as cordas da guitarra vibram, distorcem o campo magnético de uma maneira semelhante ao dos geradores eléctricos. Ou melhor ainda, o campo magnético vibra na mesma frequência da corda.
Podemos alterar esse sinal, e por conseguinte a tonalidade do Pickup, alterando uma série de factores no desenho do mesmo. Espero que explicando estas variáveis vos possa ajudar a compreender como é que os Pickups alteram a sonoridade de uma guitarra, e conseguir uma decisão mais acertada na hora de escolher um Pickup para substituição.
Quão “quente” ou saturado pode soar um Pickup depende principalmente de 2 factores:
Utilizando um magneto mais forte tem boa influência na tonalidade do Pickup. Quanto mais forte seja o magneto terá mais ataque e um tom agressivo. Contudo, tem o inconveniente de “assassinar o sustain” (dado que com a força excessiva dum magneto trava a corda de movimentar-se), ou de causar uma alteração desagradável denominada “stratitis”.
É de salientar que muitas marcas de Pickups falam do tipo de material utilizado como se de uma referência se tratasse. Isto só por si não pode ser usado como definição do som. Porque? Porque os magnetos não produzem som! O material dos magnetos apenas afecta o som indirectamente, já que eles são os responsáveis pela força do magneto. Mas isto pode ser compensado com um magneto maior ou menor.
Quantas voltas têm a bobina afecta directamente o som por várias razões. A primeira deriva de quantas mais voltas tiverem mais capacidade terá de gerar energia, e por isso conseguimos um Pickup com mais saída (medido em mV).
A segunda razão deriva de que qualquer bobina é um indutor e a impedância de um indutor varia com a frequência (quanto maior frequência, maior a impedância). Quando introduzimos mais voltas de fio estamos a aumentar a indutância e alterando a resposta total.
Trocando por miúdos: Quantas mais voltas tiver o Pickup, menos agudos terá o nosso som.
Mudando a espessura do fio também alteramos a indutância e pelas mesmas razões acima descritas, altera o som. Isto deve-se a quanto mais fino for o fio mais resistência causará.
O formato físico do Pickup ou do magneto altera drasticamente o som. Bobinas mais altas e estreitas têm um som mais brilhante que as baixas e largas. Isto deve-se ao facto que a bobine cruza uma área diferente do campo magnético.
Um magneto maior tem mais força que um mais pequeno. Por isso causará um campo magnético mais amplo. Colocar o magneto no interior da bobine criará um campo magnético muito diferente do que se o magneto estivesse na parte inferior. As possibilidades são enormes!



As bobinas não têm apenas impedância, mas também capacitância. Diferentes formas de bobinar (de esquerda para a direita, ou vice-versa, quão apertado fica o fio, etc) resultará em diferentes capacitâncias assim a sonoridade final.
Um guia simples para Single Coils pode ser o seguinte: